A arte da cocaria volta a estar em destaque na feira da agropecuária e do cavalo que está a decorrer, até ao próximo domingo, em Santiago do Cacém. Uma técnica em vias de extinção que nasceu nos campos quando as mulheres preparavam as refeições para os homens.

Enquanto os homens tiravam a cortiça das árvores, as mulheres faziam a comida mas estavam sempre à coca, a espreitar quando é que eles vinham e assim nasceu o nome [cocaria] e a pessoa que faz ficou a chamar-se coqueira”, explica Mariana da Conceição, uma das últimas coqueiras que existem no concelho de Santiago do Cacém.

Mariana dedica-se a esta arte há mais de 40 anos e os seus movimentos apressados comprovam a experiência adquirida com as panelas de barro.

Começa-se às 8h00 e normalmente ao meio dia está tudo pronto para o almoço. Muitas vezes tenho de alimentar muitas pessoas, porque os ranchos são grandes, mas nunca são menos de vinte”, garante a coqueira que nunca recebeu uma queixa em relação à confeção.

Chegam cheios de fome e mesmo que não esteja grande coisa, comem e gostam”, diz enquanto observa o lume onde se cozinha o grão e os legumes, como o feijão-verde, a cenoura, a batata e a carne.

Noutros tempos eram só sopas de batata, com beldroegas ou couve e raramente aparecia carne para assar, agora é que se comem muitas carnes, frango”, exemplifica.

As panelas de barro alinhadas ao lume aguçam a curiosidade dos visitantes da feira que passam pelo recinto e assim aprendem algumas das artes e costumes da região.

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