As tradicionais cadeiras de madeira e corda, réplicas de carroças, alfaias agrícolas e de animais e ainda artigos em pele de cortiça são algumas das peças de artesãos da região que se podem encontrar em exposição na Santiagro.

José Maria Dias reside em Vila Nova de Santo André, mas é natural da aldeia do Cano, no interior do concelho de Santiago do Cacém, e dedica-se ao artesanato desde que se reformou.

Com uma navalha esculpe na madeira réplicas de animais, de alfaias agrícolas e carroças.

“Os animais são feitos à navalha e as carroças é às tabuinhas e depois vou ‘afeiçoando’, são cópias mesmo do original”, disse o artesão, que confessa matar assim saudades de “antigamente”.

José Maria Dias | Artesão

“Há aí peças que demoram um mês a fazer”, revelou, exemplificando com “uns bois com cortiça” expostos na feira, que demoraram “quase um mês a fazer”.

As peças são esculpidas ou construídas em “choupo, faia ou almo” e são completadas com réplicas em miniatura de “arreios” e “fivelas”.

Toda a produção que mostra na feira no seu expositor é feita com “muito prazer”, mas sem grande expectativa, embora tenha “algumas encomendas”.

“Há muito pouco poder de compra, eu até não ganho muito dinheiro com isto porque eu não preciso disto para viver, já fiz as contas, eu ganho 10€ por dia a fazer estas peças, mas dá-me muito prazer a fazê-las e distribuí-las por aí e há sempre pessoas que levam, mas não tem muita venda”, reconheceu.

Mas também tem uma explicação para isso: “isto são peças caras, leva muito tempo a fazer, [são] muito caras em relação ao poder económico que existe, não há poder de compra”.

Seguindo as “pisadas” do avô, Carlos Oliveira, que também mostra e vende os seus trabalhos na Santiagro, começou a construir cadeiras em madeira e corda “por brincadeira”, mas o “hobby” acabou por se tornar num “sucesso”.

Carlos Oliveira | Artesão

“Faço todo o tipo de cadeiras, por encomenda, de todo o tamanho”, disse, mostrando a variedade da típica alentejana que constrói e vende.

Ao todo, o artesão, que há quatro anos faz questão de marcar presença na feira de Santiago do Cacém, estima já ter construído “mais de 500” cadeiras e recuperado “mil ou mais” cadeiras antigas.

Além destes dois artesãos, na feira podem encontrar-se mais expositores de artesanato, com artigos em pede de cortiça, como malas, carteiras ou bolsas e até sapatos.

Até ao final do dia de hoje, continua o certame no parque de feiras e exposições de Santiago do Cacém, com 205 expositores ao todo.

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