O Ministério da Agricultura quer que o setor da hortofruticultura atinja uma capacidade de exportação de 2 mil milhões de euros até 2020. O objetivo “ambicioso” foi anunciado pelo Secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira, durante a inauguração da FACECO – Feira das Atividades Culturais e Económicas do concelho de Odemira.

“Temos o objetivo, no setor da hortofruticultura, de atingir até 2020, dois mil milhões de euros de exportação, isto é passar dos 1,3 mil milhões para 2 mil milhões de euros. Um objetivo alcancável, tendo em conta as tendências de crescimento”, adiantou Luís Medeiros Vieira que conta com os empresários do Litoral Alentejano para concretizar um desafio que reconhece ser ambicioso.

“É um objetivo ambicioso mas estou certo que com a dinâmica que está a existir no setor, de norte a sul do país, é possível atingir. Se as nossas exportações estão nos 1,3 mil milhões de euros, só temos de aumentar mais 700 milhões nos próximos quatro anos”, disse em declarações ao Diário da Feira.

O governante, que antes de visitar a FACECO participou no colóquio sobre a hortofruticultura – frutas, legumes e flores -, que se realizou no auditório da Caixa Agrícola de São Teotónio, aproveitou o momento para destacar o trabalho desenvolvido pelos produtores do litoral alentejano neste setor.

“A agricultura no litoral alentejano está muito orientada para o mercado. Tem mostrado uma grande dinâmica em termos não só de investimento como de afirmação e projeção”, reafirmou, dando o exemplo das empresas que produzem pequenos frutos, como mirtilos, framboesas ou morangos, no concelho de Odemira, que no ano passado exportaram 117 milhões de euros.

De acordo com dados fornecidos pelo secretário de Estado, as 55 empresas do ramo hortofruticola, existentes no litoral alentejano, faturam anualmente 155 milhões de euros. “Esta dinâmica é fruto de uma boa capacidade de organização das nossas  empresas que têm sabido tirar proveito do mercado internacional e ao mesmo tempo do trabalho desenvolvido pelo governo na abertura de novos mercados”.

Em 2016, o setor das frutas e legumes exportou 65 por cento da sua produção. “Já abrimos 33 novos mercados a mais de 100 produtos, dos quais mais de 30 são de origem vegetal e queremos continuar a trabalhar para abrir mais mercados”, acrescentou o governante referindo-se às exportações de animais vivos que “têm beneficiado o Alentejo”.

“Passamos a exportar ovinos, bovinos e caprinos e, no último ano, conseguimos atingir 150 milhões de euros quando há dez anos a exportações eram insignificantes ou quase inexistentes. Isto significa que quando se exporta mais, também se dinamiza a produção local, criando emprego e dinamizando as atividades ligadas à agricultura”, adiantou ao Diário da Feira.

Setor agroalimentar cresce 8 por cento/ano

De acordo com Luís Medeiros Vieira, o setor agroalimentar está a crescer acima dos restantes setores da economia portuguesa devido à sua transformação e à dinâmica imposta pelos empresários agrícolas.

“As exportações do setor agroalimentar têm crescido, nos últimos dez anos, a uma média de oito por cento ao ano, enquanto o resto da economia aumenta as exportações em cerca de cinco por cento”, sublinhou o governante que traçou um quadro positivo do setor.”Só nos primeiros seis meses deste ano, as exportações neste setor aumentaram 16,2 por cento”, uma taxa “superior ao resto da economia” concluiu.

Governo quer clarificar procedimentos no Perímetro de Rega do Mira

O Ministério da Agricultura está disponível para avançar com uma intervenção interdisciplinar para encontrar “um consenso” entre as várias entidades que atuam ao nível do Perímetro de Rega do Mira de forma a “solucionar os problemas existentes”.

De acordo com o Secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, o governo vai reunir esta semana com os diversos intervenientes nos cerca de 12 mil hectares que constituem o perímetro que “se sobrepõe ao Parque Natural”.

“Vamos reunir com o presidente da Câmara de Odemira e com o grupo que está a coordenar esta atividade [hortofruticola] no Parque Natural para podermos ultrapassar algumas das situações e que para efetivamente se possam retirar alguns desses constrangimentos”, adiantou Luís Medeiros Vieira.

O Secretário de Estado reconheceu existirem “limitações” nos procedimentos a adotar mas afirmou ser necessário “saber compatibilizar a agricultura sustentável num território em que o ambiente também tem de ser preservado”.

Para além da Secretaria de Estado da Agricultura e Alimentação, na reunião participa também o Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural, ambos com responsabilidade na gestão da agricultura e do parque natural, e o Ministério do Ambiente. “Queremos fornecer, com clareza, aos intervenientes as limitações que existem, o que podem fazer e aquilo que  não podem fazer”.

No entender do governante “esta região tem outras valências” que “não só a agricultura”, como o turismo e a natureza. “É possível chegarmos a bom porto se identificarmos bem os problemas e certamente iremos encontrar as melhores soluções para cada um deles”, concluiu.

 

 

 

 

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