O Litoral Alentejano é uma “região nobre” no setor da apicultura e anualmente produz perto de 700 toneladas de mel para os mercados nacional e estrangeiro. Quem o diz é o vice-presidente da Associação de Apicultores do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (AASACV) que não tem duvidas em afirmar que o setor é o “patinho pobre” da agricultura em Portugal.

As características “da floração”, as “correntes de ar”, o sol e o teor de humidade da região, são fatores que contribuem para o sucesso da apicultura no sudoeste alentejano e costa vicentina. A região acolhe mais de quarenta mil colmeias que se distribuem entre o litoral e o interior do território na procura incessante pela diversidade da oferta e do sabor.

FACECO | Adérito Cheta, vice-presidente da Associação de Apicultores © Helga Nobre

“Só na nossa região é possível tirar, por exemplo, dez qualidades de mel e isso deve-se não só às características deste território como às qualidades técnicas dos apicultores que têm evoluído. Não é por acaso que temos aqui grandes investimentos e podemos até dizer que alguns dos nossos associados são considerados os maiores produtores do país”, explicou Adérito Cheta.

As condições favoráveis do clima e dos terrenos tem ajudado ao crescimento deste setor na região. A produção mais comum é o mel de rosmaninho mas a imaginação dos apicultores pode levar os amantes de mel ao desespero na hora de escolher. O mercado oferece uma variedade de sabores e combinações que vão desde o mel de flor de laranjeira, ao de girassol, urze, eucalipto ou ao mel de medronheiro, tão característico desta região.

 

Segundo o responsável, o ano de 2017 está a ser “terrível” para os apicultores que estão dependentes das condições climatéricas. “O vento sueste na altura da primavera prejudica os produtores de mel e, este ano, as correntes de ar vindas do norte de África tiraram a humidade à floração afetando 1/3 da produção do mel de rosmaninho que não tinha um ano como este há mais de dez anos”, lamenta Adérito Cheta, apicultor desde tenra idade.

 

Com vinte e cinco anos de existência, a AASACV conta com 240 associados.”Neste momento talvez seja uma das maiores associações do país com a maior produção de mel do país, com a melhor diversificação de mel do país e com a melhor qualidade de mel do país”, diz o responsável.

 

Apesar da qualidade do mel, do nível elevado dos apicultores e da produção anual que ronda as 680 mil toneladas, o vice-presidente da Associação de Apicultores do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina lamenta a falta de apoios do Estado ao setor.

 

A associação realiza todos os anos um Concurso Regional de Mel na Feira das Atividades Económicas e Culturais do Concelho de Odemira e uma Prova de Mel Infantil, que já vai na sexta edição, com o objetivo de incentivar os mais novos a juntarem-se ao setor e para dar a conhecer as diferentes variedades de mel.

 

Resultados do XVIII Concurso Regional de Mel da FACECO 2017

1º >> Fábio Gonçalves (Sonega / Santiago do Cacém)
2º >>Eduardo Marques (Vela de Santiago/ Odemira)
3º >>José Augusto Pereira da Silva (S. Luís / Odemira)

 

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