Ligada à música tradicional galega, Mercedes Peón, gaiteira, percussionista e cantora, sentiu a necessidade de se desafiar a si própria para criar algo novo. O projeto que trouxe ao palco do Castelo de Sines na noite de quinta-feira resultou de um processo de recolha de sons em fábricas e estaleiros navais.

Mercedes Peón | FMM 2017 | © Tiago Canhoto

Com esses sons recolhidos, criou composições musicais que descreveu em entrevista ao Diário da Região como “super eletroacústicas”.

Esta rutura com o tipo de sonoridade a que o público se acostumou a ouvir dela, surgiu da necessidade que sentiu de “provocar novas sensações”.

“Já estive em meio mundo, já fiz muitas canções, já fiz discos, já fiz obras, precisava provocar em mim novas sensações para não me repetir, porque há que buscar uma razão para continuar a fazer isto. Se já fiz uma canção de uma maneira, porque vou voltar a fazer o mesmo?”, questionou.

A compositora galega esteve no Festival Músicas do Mundo pela terceira vez, um regresso que a deixou feliz.

“Sines é maravilhoso, Sines é um lugar… eu confio muito no Carlos Seixas [programador do festival], como me programa. (…) Ter pessoas por detrás do festival que fazem curadoria realmente, que estão a projetar artisticamente, apoiando este publico e a criar opinião e posicionamento social. Venho feliz, porque confio plenamente no festival, então é um prazer”, disse Mercedes Peón, lamentando não ter tempo para continuar mais dias na cidade alentejana para poder assistir a outros concertos.

De Sines, Mercedes Péon seguiu para Munique, onde tinha já um concerto agendado, estando ainda previstos mais espetáculos na Galiza, Barcelona e Budapeste. Em palco, acompanham-na Mónica de Nut, no teclado e na voz e Ana García (voz).

 

Ouçam aqui:

Previous Festival Músicas do Mundo com “paragens” na Europa, Ásia, África e América do Sul
Next Festival Músicas do Mundo despede-se hoje com concertos até amanhecer