A língua portuguesa, com diferentes sotaques, tem estado em destaque na 19.ª edição do Festival Músicas do Mundo (FMM), com cerca de um terço dos espectáculos a contar com artistas de vários países da lusofonia.

O fadista sineense André Baptista e o “mestre da guitarra portuguesa”, como é conhecido António Chainho, natural do concelho de Santiago do Cacém, marcaram, no dia 21, a “partida”, em Porto Covo, da Costa Alentejana para a viagem à volta do mundo, com o Festival Músicas do Mundo de Sines.

Para André Baptista foi a primeira vez que pisou o palco do FMM, precisamente na aldeia onde se tinha estreado como fadista, “há cerca de 14 anos”.

André Baptista | FMM | © CMS

“Enquanto cantor foi uma estreia, embora eu acompanhe o festival desde o seu início, porque na altura em que o festival arrancou eu ainda vivia em Sines e portanto assisti a quase todos os festivais até hoje. Como cantor é a primeira vez que participo e estou muito feliz por estar aqui”, disse em declarações ao Diário da Feira o fadista.

 

António Chainho, que já tinha estado no festival anteriormente, regressou para encontrar um “público atento” ao fado e à guitarra portuguesa sem que tenha sido preciso dizer “silêncio, que se vai cantar o fado”.

António Chainho | FMM | © CMS

 

Os músicos Costa Neto e João Afonso, ambos moçambicanos, ambos a residir em Portugal há décadas, juntaram-se pela primeira vez em palco no FMM, para cantar em português, mas também em ronga, um dos dialetos falados em Moçambique.

Costa Neto & João Afonso | FMM | © CMS

Embora João Afonso já tivesse estado no festival, mas do lado do público, desta vez subiu ao palco, em Porto Covo. Já Costa Neto, que conhecia o FMM, mas que nunca tinha estado em Sines, encontrou  em comum com o festival valores como “a diversidade”.

 

O cantautor brasileiro Gustavito, que partilhou o palco em Porto Covo com o grupo A Bicicleta, para apresentar o disco Quilombo Oriental, ficou feliz com a estreia no FMM, a convite do programador do festival, Carlos Seixas.

Gustavito & A Bicicleta | FMM | © Tiago Canhoto

 

Waldemar Bastos, Orquestra Latinidade, Cantos De Cego Da Galiza E Portugal, Makely Ka, Coladera, Jae Sessions, Simply Rockers Sound System, Medeiros/Lucas, Cristina Branco, Metá Metá, Sopa De Pedra, Benjamim / Barnaby Keen, Mário Lúcio, Bixiga 70 (que vai estar em palco com Orlando Julius, da Nigéria), Tó Trips & João Doce, Lura e Celestemariposa são outros dos projetos musicais com elementos de países lusófonos que passaram ou vão ainda passar hoje por Sines.

Além desses, também passou pelo festival a lusodescendente Nessi Gomes que, embora não fale português, tem o fado, que sempre ouviu em casa, no Reino Unido, como influência para a música emotiva que apresentou no palco de Porto Covo.

Nessi Gomes | FMM | © CMS

“Obviamente que eu não canto fado e não canto em português, mas deixou uma marca e como música colhemos diferentes inspirações, obviamente que tenho as minhas raízes inglesas também, mas o elemento português é muito forte também”, disse em entrevista ao Diário da Feira, após o concerto em Porto Covo.

 

Nessi Gomes, filha de pais madeirenses, subiu ao palco no primeiro fim-de-semana do festival, para se estrear no FMM, mas também em Portugal.

“Foi mais do que eu esperava. Não sabemos realmente se as pessoas conhecem a nossa música, e conseguir uma recepção tão incrível, isso faz o nosso trabalho mais fácil, enquanto artistas, sentimo-nos muito relaxados e apoiados. Eu adorei. O público foi muito bom.”, disse, feliz no final no espetáculo.

 

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