A grande viagem do FMM Sines 2018 começa em Portugal. Do país anfitrião do festival, vai ouvir-se o fado (Aldina Duarte), experimentações eletrónicas sobre música tradicional (Live Low), uma voz com ligações à América do Sul (Susana Travassos) e três representantes da Lisboa das mestiçagens africanas (Fogo Fogo, Sara Tavares, Scúru Fitchádu), uma Lisboa com ligações a Cabo Verde, arquipélago que trará a Sines uma lenda viva (Bulimundo) e um dos seus talentos emergentes (Elida Almeida).

Será também uma das edições mais ricas em música do Norte de África, com músicos que cruzam as fronteiras do Magrebe (AMMAR 808DuOudSofiane Saidi & Mazalda, ŸUMA), passam pelo deserto do Sahara (Imarhan) e chegam ao Cairo metropolitano (Maryam Saleh, Maurice Louca & Tamer Abu Ghazaleh’s Lekhfa).

Do Mediterrâneo oriental, o FMM Sines recebe uma voz pop alternativa do Líbano (Yasmine Hamdan), uma banda do espaço conturbado dos Montes Golã – território sírio ocupado por Israel (TootArd), duas expressões de modernidade da música com origem na Turquia (BaBa ZuLaDerya Yıldırım & Grup Şimşek) e uma abordagem refrescante ao legado musical cipriota (Monsieur Doumani).

Os caminhos pela África subsariana começam no Mali, com um guitarrista de linhagem nobre (Vieux Farka Touré) e um clássico do cruzamento de música africana com música cubana (Maravillas de Mali, com a participação do convidado Mory Kanté). Avançamos depois pela música frafra do Gana (Guy One), pela “tuku music” de um embaixador do Zimbabué (Oliver Mtukudzi) e pelo manancial da música tradicional de Moçambique (Timbila Muzimba).

A África na diáspora também estará presente, pela via de transformações modernas do ethio-jazz (Gili Yalo) e das canções de retorno núbias (Alsarah & The Nubatones).

Do Brasil vem uma das delegações mais fortes que o festival já recebeu: duas bandas que estão na dianteira da nova música urbana atenta às raízes (BaianaSystemCordel do Fogo Encantado) e duas cantautoras empolgantes ao vivo e de conteúdo lírico incisivo (Karina BuhrTulipa Ruiz).

Ainda da América do Sul, o FMM recebe a cena underground da Colômbia (Cero39El LeopardoMeridian Brothers) e faz uma incursão à sua música popular mais genuína (Carmelo Torres y Su Cumbia Sabanera). Da vizinha Venezuela, chega um expoente da música para cuatro (C4 Trío) e, da Jamaica, o grupo histórico do reggae Inner Circle.

Os EUA figuram no programa com músicos de visão cosmopolita com base em Nova Iorque (BarbezMoon Hooch) e artistas da música negra que se faz na América profunda (Robert FinleyThe Como Mamas).

O regresso à Europa é feito com entrada pelo Reino Unido, de onde chega um grupo que abre o jazz ao hip hop e à música caribenha (Sons of Kemet), um duo de electro swing (The Correspondents) e uma trompetista que transporta a herança árabe para o jazz contemporâneo (Yazz Ahmed).

Da Europa continental, três países terão oportunidade de mostrar duas vezes em palco a diversidade da sua música: a Hungria (Lajkó Félix, Meszecsinka), a Polónia (KrokeSutari) e a Finlândia (Kimmo Pohjonen ‘Skin’Pekko Käppi & K:H:H:L).

Entre a Europa e a Ásia, escutaremos música recolhida nas aldeias da Bielorrússia (Ethno-Trio Troitsa) e sonoridades das pastagens de república russa de Tuva (Huun-Huur-Tu).

Sendo a música um espaço vocacionado para o encontro, também terão lugar no FMM Sines os projetos que cruzam estéticas e geografias. Em 2018, o público poderá dançar ao som de um grupo de mbalax senegalês formado por um produtor alemão (Mark Ernestus’ Ndagga Rhythm Force), uma experiência de fusão entre os ritmos de Cuba e da Jamaica (Havana meets Kingston) e uma colaboração de músicos franceses com um cantor paquistanês (Markus & Shahzad).

No FMM vão ainda marcar presença artistas cuja abordagem à música é universalista e sem marcação geográfica precisa, sejam eles um pianista parisiense com gosto pelas viagens (Chassol), um grupo de rock experimental de Barcelona (Seward), um duo espanhol e um trio esloveno de música instrumental (Brigada Bravo & DíazŠirom) e um duo de guitarra clássica que cruza flamenco e metal nas ruas de Melburne (Opal Ocean).

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