Centenas de artistas já pisaram os palcos do Festival Músicas do Mundo de Sines desde a sua primeira edição, ainda no século passado. Como no primeiro ano, sobe ao palco um projecto musical de cada vez, para que todos possam ter tempo para apreciar cada espectáculo, sem pressas, nem pressões de horários sobrepostos.

“Este festival tem uma característica única em relação a outros festivais do país, não há um concerto ao mesmo tempo de outro”, destacou em entrevista ao Diário da Feira Carlos Seixas, programador artístico do festival, que começou, em 1999, com dois dias de música com um público muito mais reduzido e essencialmente local.

Para Carlos Seixas, este “tempo”, revela “respeito pelo artista” e também “pelo público”.

“A cultura tem esta necessidade de ter tempo. Os artistas têm que ter tempo para mostrar aquilo que criam, aquilo que valem e aquilo que é a sua própria maneira de apresentar. E o público também tem essa necessidade de estar muito mais calmo e interessado naquilo que o artista faz”, defendeu o programador do FMM, que lembrou ainda outra característica única do festival: não há bandas “cabeça de cartaz”.

“Por todos os artistas, quer no castelo na avenida ou no Centro de Artes de Sines, aqueles que são mais conhecidos ou aqueles que são praticamente desconhecidos, o respeito pelo artista é que não há preferidos. Todos os artistas devem se respeitados, sejam eles mais ou menos conhecidos. Todos eles fazem boa música, todos eles vão por o público feliz”, acrescentou.

Esses são alguns dos ingredientes  que fazem do FMM Sines um festival que se destaca de outros nacionais e que o torna tão especial para o público que regressa ano após ano e que tem vindo a crescer.

Outras componentes que têm sido essenciais para a consolidação, reconhecimento e crescimento do festival, segundo a visão de Carlos Seixas, são “uma equipa coesa” de trabalho e “uma câmara municipal centrada e consciente daquilo que é um festival desta natureza” e ainda “uma comunidade com um espírito de pertença”.

Oiçam a entrevista completa aqui:

Previous Vinte Anos do FMM: O festival devia "estar mais na vanguarda" diz Rute Pereira
Next FMM 2018: “Que as pessoas se amem e se deixem de guerras”