Vinte Anos do FMM: O festival devia “estar mais na vanguarda” diz Rute Pereira


Rute Pereira recorda um festival com “meia dúzia de bandas” que atualmente se divide em dez dias e 59 concertos. Desde a primeira hora ligada ao Festival Músicas do Mundo, diz que gostaria de ver melhorias em termos de imagem, ambiental e tecnológico.

QUAL É A PRIMEIRA RECORDAÇÃO QUE GUARDA DO FESTIVAL MÚSICAS DO MUNDO ?

Recordo-me do primeiro festival, o ano zero. Era um festival pequenino, o fogo de artifício foi uma surpresa porque foi mesmo por cima do palco, ninguém esperada aquela intensidade. Recordo-me do primeiro contacto com uma produção maior, nunca se tinha feito, as pessoas a chegarem. Não existirem as condições atuais, bares, palcos, era uma coisa muito pequenina que entretanto cresceu e foi importante. No primeiro ano, as pessoas não tinham para onde ir e ficou tudo aglomerado aqui no ‘Largo do Ponto’ sem saber muito bem o que fazer. 

NA SUA OPINIÃO, COMO EVOLUIU O FESTIVAL ?

Evoluiu de forma positiva em termos de bandas porque conseguimos até hoje transportar um mundo para Sines. De meia dúzia de bandas e de dois dias, passamos a 10 dias e 59 concertos o que é representativo mas acho que, nos dias que correm, devíamos estar mais na vanguarda porque deixamo-nos atrasar nalguns pontos, como o ambiente, acampamento, tecnologias.

QUAL FOI O MELHOR ANO E PORQUÊ ?

Foram todos especiais. Tive duas fases, anos em que estive a trabalhar e outros em que não estive. Recordo-me do ano em que o meu filho ainda era bebé e isso foi muito giro. Em termos de bandas penso que foi o ano de Gogol Bordello, The Skatalites e logo após o ano zero a Shemekia Copeland e depois o Popa Chubby, um americano com 200 quilos e com uma série de exigências e toda a gente cheia de medo do que podia acontecer e depois quero realçar uma das coisas mais importantes deste festival que é o facto de não conhecermos as bandas a não ser quando vais recebendo o guia e a informação e já tivemos muitos e bons concertos assim do nada.

QUE PODE MELHORAR NO FESTIVAL MÚSICAS DO MUNDO ?

Pode melhorar em termos de imagem, o acampamento, em termos ambientais, tecnológicos, ao nível dos transportes e em termos de produção porque há sempre alguma coisa que pode ficar para trás. O público vai mudando e certamente se o festival fizer mais 20 anos não vamos reconhecer de certeza absoluta.

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