O colectivo BaianaSystem, assíduo no Carnaval da Bahia, aguarda “com expectativa” a noite de hoje para subir ao palco do Castelo de Sines, no Festival Músicas do Mundo, depois de já ter ouvido opiniões de outros músicos sobre o festival, incluindo os também brasileiros Cordel do Fogo Encantado e Tulipa Ruiz.

“Para a gente é uma honra poder estar [no FMM] e ser convidado”, disse hoje em entrevista ao Diário da Feira Roberto Barreto (ou Beto, como se apresenta), que confessou aguardar com expectativa a apresentação do projecto ao público de Sines, que é também constituído por Marcelo Seco, baixista e produtor, Russo Passapusso, o homem do sound system e das rimas, e o artista visual Filipe Cartaxo.

O músico, guitarrista, destacou também o orgulho em subir ao palco no mesmo dia que nomes como Sara Tavares ou os jamaicanos Inner Circle, que levam o som do reggae à avenida Vasco da Gama já de madrugada, a partir das 03:15.

Com diversas influências, Beto acredita que “o Carnaval” do Brasil é “muito formador” da “musicalidade” da população e é também no Carnaval da Bahia que têm marcado presença com a sua música regularmente.

Questionado sobre o tipo de música do grupo, o guitarrista diz ter dificuldade em definir, considerando ser na verdade uma fusão da história e de diferentes influências.

“É difícil definir o tipo de música que fazemos. A nossa cidade, Salvador, e a Bahia, especificamente o nosso Estado, tem como principal característica justamente as misturas e a fusão disso. A gente não consegue muito separar o que é raiz de coisas novas que estão chegando. A presença de África é muito forte lá. A nossa cidade, Salvador, talvez mais de 90% da população é afrodescendente. Temos também a presença de Portugal muito forte, a música Ibérica, através dos instrumentos, o que a gente tem lá de herança de violões, de cavaquinhos, de bandolins, de acordeões, de melodias árabes… Isso também chega muito forte para nossa formação e se mistura ali com os batuques. Para a gente é muito difícil definir, mas eu diria uma pouco dessa afro-brasileira, com o que a gente consegue captar de influências de outras coisas que vêm chegando, como reggae e como música pop.”

Ao FMM Sines, que celebra a 20.ª edição, deixou uma mensagem: “Vida longa ao [FMM] Sines, que continue celebrando e unindo pessoas através da música.”

Ouçam a entrevista completa aqui:

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